“e dizem que sorrindo ela entendeu
que a vida só se dá pra quem se deu…”

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Eu quero dizer que me envergonho por ter sido covarde, e ter negado Você.
Eu sei, Você bem que me avisou… E talvez eu até já sabia, intimamente. Mas, desde aquele dia…
Ah! Meu Amor. Que falta sente minha vida de viver.

Desde que fui embora, minh’alma chora. A garganta ficou seca. E o corpo dói.
Você sou eu

eu sou Você -agora, metade
Eu lembro bem;

eu te trai, no quarto escuro

nas ruas e praças 
Te apedrejei. De novo. Eu sei.

-Ah! E é com a alma molhada e com os olhos afogados que Lhe escrevo o que sei-
Eu te bati. De novo.

Te deixei sangrando. 

Eu sei, fui egoísta. Como Você mesmo disse que eu seria.
(Porque eu não sabia, e agora sei, Você sabe mais de mim, do que sei.)
Eu te deixei

e fui embora

e apesar de mim, Você voltou
E voltou quando eu é que estava sangrando, no chão 

Você voltou e me ergueu do lixo almático que me envolveu. Eu nem soube o que fazer. Você me acolheu. 
Eu disse: – “Nãããão! Eu te trai.”

Você disse: -Estamos aqui! Vamos dançar?
E sua dança lavou me da solidão 

enquanto teu toque sarou me dos males de existir
Ah!

Eu sou Pedro, mulher e do século XXI

E você é o mesmo Jesus
Teu sorriso aquela noite me salvou de mim,

me iluminou pra vida 
Vem!

E me mostra o mundo com Seu olhar. Eu não sei mais sonhar…
Fica! Fica… Fica…

Deixa eu deitar em Você 
Eu quero te contar tudo

e dizer que desde então,

eu não sei sonhar.

Sou só depressão.
Você é Luz

e antes Te conhecia de ouvir falar,

agora, meu coração te vê. É teu.
E eu não acredito em mais nada

perdi a fé de tudo

duvido do nada

nem confio em mim.

Você é a certeza. Única.
Sei

eu te neguei. De novo.

Você já sabia…

ainda assim, me chamou pra dançar 
É como um cacto, nascendo no chão seco.

Viver é arte

Puxa, vai!
Puxa a vida.

Vai!
puxa a vida
e a sente, enquanto ela queima você

Vai!
prende a vida, e a deixa
deixa consumir a mente
deixa invadir o coração

Vai!
segura a vida,
porque quando vê,

Já foi, e
a vida consumiu você

Vai!
pode soltar a vida
e sente a fumaça saindo de você

Vai! Vai! Vai!
e mergulha
na fumaça, em você
A vida está em você
E sai de você pro mundo

A vida é dita como droga
mas é só brisa, e não faz mal
passa rápido, e quando vê;
já foi.

Vida é arte, e
enrolar faz parte
viver largado não é bom
mas certinho é difícil

Requer prática
e pra ter prática em viver
só vivendo

Vive hoje
só hoje
amanhã eu num sei
sei nem de hoje

Mas

vive
hoje.

Puxa
e segura o quanto der
tosse se precisar
porque logo já é hora de largar
e quando vê
fez a cabeça e foi embora
virou fumaça.

Viver é arte, se queimar faz parte.

Domingos

Depois de umas cervejas todo mundo se solta
e fala o que, normalmente não é dito
Depois de ouvir mais do que falar
notei que todos temos um amor morto
Todos temos um amor escondido
Uns são ex, outros nem isso

Depois de estarmos soltos
todos percebemos que, de certa forma, temos uma prisão
Aliás, tudo o que é irresoluto é uma prisão
e todos temos disso.

Pude perceber também, que:
boa parte de nós age como boa parte de nós.
A maior parte dos que ouvi, ignoram essa prisão
e vivem como se estivessem soltos…

Mas,
depois de umas cervejas…
Estamos libertamente presos;
presos a abraços, presos a momentos, presos a pessoas.

A vida grita e corre
e a gente segue o som, e tenta imitar os passos
entre tropeços e abraços

Uns ficam,
outros vão.

Depois de umas cervejas…
a foto da ex ficou mais bonita
o sorriso do amigo que deixou de ser faz falta
depois de uns risos
um choro saudoso e leve, acontece.

Viver requer aprender a arte de apreciar as cervejas da vida
requer lidar com a falta
requer entender que passou

Umas cervejas e ódio virou amor
porque a cerveja desperta, de alguma forma, uma verdade cerebral não conhecida pela mentira rotineira de uma mente sã.

Pena eu tenho de quem está sempre são
felizes e verdadeiros são os embriagados
Desculpem, mas aprendi com a melhor professora: a tal da Vida!

Mulheres

Não quero esconder minhas manchas
Não quero fingir a magreza que em mim não está
Me recuso a alisar os cabelos
Não vou ir de saltinho

“E você vai assim?”
– Ninguém vai te querer

Me recuso a ser carne exibida em açougue
Não estou na vitrine
Não sou carne
Não sou gostosa, nem sou delícia

Não entendeu ainda?
Não sou um produto da indústria alimentícia
Eu não sou de comer, amigo

Cabelo cumprido
Perninhas grossas
Bumbum empinado
Pele lisinha

E a indústria capetalista de cosméticos só cresce.

Até quando?

Amigas, nós não somos comestíveis;
NÃO TEMOS QUE SER GOSTOSAS!

Moça, você é bonita.
De cabelo cumprido, ou curto.
Com ou sem.
E quem te disse que é feio ter estrias, mentiu
Eu juro que são lindas
Olha bem, cada curvinha
Olha bem, e me fala você, senão parece poesia

Disseram que pra ser bonita, tem que ser magrinha, direitinha, mudinha…
É MENTIRA!

Pra ser bonita, amiga, você só precisa existir.

Você encanta,
tem força
é linda
Doce, e amarga.
Você é mulher,
pode ser o que quiser

Não deixem mais dizer o que podemos

NÓS PODEMOS T-U-D-O
E por favor, não deixe que decidam por você

De burca, ou shortinho
Com ou sem batom vermelho
Se vai transar ou não

Menina, é você quem escolhe
Seu corpo, suas vontades;
Você é quem manda.

Ta? Tá!

E não esquece,
você não precisa gastar seu dinheiro pra ser quem não é;
você nasceu linda, você nasceu mulher.